segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Arte e pensamento


Texto extraído do site :http://pt.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Arnheim

Como um dos principais estudiosos da Gestalt na Arte, Arnheim afirma que "toda percepção é também pensamento, todo processo de raciocínio é também intuitivo, toda observação é também invenção" (Arnheim, 1974:5). Contradiz a idéia dominante que entende que as palavras e não as imagens são os primeiros ingredientes do pensamento e que a linguagem precede a percepção.
Arnheim afirma que "o mecanismo pelo qual os sentidos entendem o meio-ambiente são idênticas às operações descritas pela psicologia do raciocínio" (Rudolf Arnheim, Visual Thinking, 1969:v). Como as descobertas científicas, as expressões artísticas são uma forma de conhecimento na qual a percepção e o pensamento são indivisivelmente entrelaçados. Uma pessoa que pinta, escreve, compõe, dança, deve-se dizer, pensa com seus sentidos (Rudolf Arnheim, Visual Thinking, 1969:v).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Experiência Estética que Move o Sonho é a Mesma que Move a Vida Real

 Por Celso

A arte com mil direções possíveis, não tem começo nem fim. Eis porque ela se torna lugar de errância, espaço no qual o artista caminha do efêmero ao sublime e onde ele pode cultivar devires conjugando-os e assumindo-os perfeitamente.

Nada mais sublime que partilhar com um artista o movimento de captura de uma imagem, de uma palavra, de uma paisagem, de um objeto qualquer saído do mundo exterior ou do seu universo individual; ou ainda, quando o artista passa por uma experiência de êxtase e de si sai uma obra que fica imortalizada na história.

Ver o corpo da obra e na obra, as contrações do rosto talhadas na madeira, na pintura, para além do gênero, da raça, da cor, a alegria estampada atestando uma jubilação sem alarde, é como assistir às núpcias entre os elementos e o corpo dançarino da bailarina, em um balé de fogo, pássaro prateado, ser humano alado, onde o limitado torna-se a própria falta de limite, onde o humano confunde-se com o divino, assim é o artista.

Algo é precioso para ele: saber capturar uma imagem e representá-la. Montar a imagem como se monta um castelo. Na obra o estilo é soberano e particular. O estilo é a linha-artista do poeta autor que inscreve seu poema em uma imagem, seu charme, seu feitiço, que não exclui o experimento radical, quando o encontro com a obra futura é entregue às turbulências do seu ofício, ao mesmo tempo em que ondas de cores e de contrastes se juntam numa só harmonia, como uma canção. O artista é um mestre nas forças positivas da invenção. O charme da sua obra o leva a se confundir com a sua própria criação.

Uma obra é uma cartografia do belo, do movimento, de tudo aquilo que ultrapassa o nosso entendimento e o nosso modo de compreensão, a obra invade-nos e ultrapassa-nos, sua condição limite é o ilimitado. A arte é como uma carta de amor ou um ritual público de amor ao belo, ao sublime, mesmo quando não há platéia.

Ser artista é dançar ao vento, é perceber em cada acontecimento banal algo de grandioso, é se deixar imergir pelo gozo da criação é viver numa solidão habitada pelas imagens.

Criar é ter o sentido do equilíbrio/desequilíbrio de tudo que está a sua volta, é transpor para o mundo exterior o que só ao artista pertence em sua intimidade, em sua individualidade. O mundo do artista é um mundo cheio de becos escuros e labirintos onde o único risco é o de se confundir com a sua criação.

Para além do mercantilismo de alguns e dos efeitos perversos de uma massificação, classificação e qualificação da obra, o artista, fábrica de sonhos, é sobremaneira um indivíduo fabuloso. Entre o homem e a obra, uma produção, uma criação do inútil, perfeita definição da arte. O artista, deus que brinca com os deuses da beleza, é alguém que diz um vigoroso sim à vida.

O mundo é o livro do artista onde em cada acontecimento ele lê um capítulo, seus instrumentos de trabalho inscrevem esses acontecimentos e a sua obra se torna um poema.

Louco, Celestino, Tamba...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Gestalt


A psicologia da Forma


Gestalt, uma palavra de origem alemã, que significa “o que é colocado diante dos olhos expostos ao olhar”. Atualmente no mundo refere-se a um processo de dar forma, de configurar. A teoria gestáltica se caracteriza por dois aspectos: em primeiro aspecto, não se pode ter conhecimento do “todo” pelo menos de suas partes – e sim das partes pelo todo, entretanto, o todo é maior que a soma de suas partes; esse aspecto denomina-se supersoma; e o segundo aspecto da Gestalt é a transponibilidade, em outras palavras, independentemente dos elementos que constituem determinado objeto, reconhecemos ali uma forma (Gestalt). Por exemplo, uma cadeira é uma cadeira independente que seja feita de plástico, madeira, metal ou qualquer outra matéria prima. Esses dois aspectos gestáticos foram apresentados numa dissertação apresentada na Universidade de Graz em 1890, pelo psicólogo austríaco Christian Von Enhrenfels (1859-1932).
Os principais nomes da escola mais conhecida da psicologia da Gestalt foram: Wertheimer, Wolfgang, Köhler e Kurt Koffka (1886-1941). Wertheimer em seus experimentos através de imagens deu no movimento percebido em sequência mais rápida a denominação de “fenômeno Phi” que seria a tentativa de visualização do movimento. Segundo os estudos de Wertheimer; não importava mesmo quando esclarecido o efeito aos voluntários que participavam dos testes e a ilusão era “desmascarada”, ela se dissipava – pelo contrário: mesmo após o esclarecimento, o fenômeno Phi era, não raro, percebido com maior nitidez.
A psicologia Gestalt veio avançando seus estudos e nos anos 20 com a psicologia da totalidade genética de Leipzig. Felix Krueger (1874- 1948) defendeu a concepção de que os sentimentos tinham “qualidades gestálticas”, e em contraposição as idéias de seu professor Wundt criticou o fato de a intuição não ser levada em conta. Hoje essa psicologia de Leipzig e seus conceitos recaem na idéia de serem antiquados.Já com Lewin, foi utilizada a teoria de campos associando a Física e matemática em interação com a psicologia.




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Louco - artista plástico ( vida e obra : parte 2)

             Cabeça de Cristo



O título de suas obras deixa patente a dupla simultaneidade de sua temática: as religiões de matriz africana e o catolicismo, a exemplo da obra denominada Anjo do Candomblé. E também alguns títulos de suas obras, que estão inseridas no decorrer deste trabalho: Cabeça de Oxalá, Cristo, Santa Ceia, Tocando Atabaque, Iemanjá, Oxalá  dentre outras.

“Louco” foi o nome artístico pelo qual ficou conhecido o escultor Boaventura da Silva Filho, nascido em 07 de novembro de 1929 em Cachoeira, cidade do Recôncavo baiano, filho de Boaventura Cardoso da Silva e Teodora Cardoso da Silva, casado com Alice Gama das Neves Silva com quem teve nove filhos, sendo cinco do sexo masculino e quatro do sexo feminino, dentre eles, quatro seguiram profissionalmente o mundo das artes escultóricas: Celestino Silva - Louco Filho, Mario Silva - Mario Filho do Louco, João Silva - João Filho do Louco, José Silva - Zé Filho do Louco e a terceira geração com Wallace Silva - Neto do Louco e Leonardo Silva - Neto do Louco.






sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Louco : Um artista naif

Louco - artista plástico ( vida e obra : parte 1)





Boaventura da Silva Filho era barbeiro juntamente com seu irmão Clovis da Silva (maluco). Quando a profissão de barbeiro não estava tendo rendimento financeiro, Boaventura fez cachimbos com galhos de árvores de cajazeiras, que segundo relatos da senhora Alice Gama, sua esposa, os galhos dessa árvore eram colhidos por ela, no subúrbio de Cachoeira. A partir desta experiência “Louco” começou a fazer cabeças humanas e formas transfiguradas, e com o passar do tempo, o artista aumentou o tamanho de suas esculturas fazendo uso de jaqueira, de sucupira e jacarandá mais apropriadas para as novas formas construídas.

“Louco” esculpiu em madeiras por mais de três décadas, construindo uma variada galeria de personagens sobrenaturais que têm como destaque figuras as quais transitam entre a iconografia católica e a afro-baiana.